uma feminista cansada: Guest post: Um relato.
Sempre que surge essa discusão “peitos ou não, eis a questão” eu lembro de um episódio de infância - eu tinha 8 anos e a minha mãe apareceu na sala, no momento família reunida, com os seios de fora como se fosse a coisa mais normal do mundo. Um choque e tanto depois, ela protestava “mas POR QUE você (pai) pode ficar sem camisa e eu não? Qual é a diferença entre os meus seios e os seus? Que tipo de preconceito é esse que te faz achar que meus filhos vão me ver como uma pessoa má? Eles conhecem bem isso aqui, mamaram aqui!”
Depois ela se deu por vencida muito triste e colocou uma blusa.
Eu demorei pra entender porque todas as mães tinham cabelo longo e a minha gostava de raspar careca que nem menino. E até esses tempos de discussão não tinha entendido porque ela queria andar com os seios de fora também.
Obrigada Feministas, por me fazer amar ainda mais a mamãe. ♥
Feminista e revoltada!: Texto #1 - Falta empatia.
Nós sempre procuramos um meio mais fácil e rápido de resolvermos nossos problemas. Nem sempre sabemos o que realmente está faltando ou sobrando, a verdade é que, precisamos parar para pensar. Um minuto antes de agir é bom. Respirar, pensar, ouvir àquela pessoa querida. Fazer o certo é sinal de que estamos andando pelo caminho certo. Fazer o errado, nunca é visto positivamente mas nós sabemos que não iremos bater na mesma tecla novamente. Ou será que vamos? Isso depende apenas de nós, obviamente.
As pessoas são cruéis. Sei que isso é óbvio, mas tem de ser ressaltado. Elas são muito cruéis, sim. E quanto mais temos exemplo da crueldade da humanidade, a nossa esperança se desgasta. Mas ela continua acesa, porque do feminismo eu não largo mais. Digo que sou feminista porque quero ser vista igualmente como qualquer ser humano. Esqueçam os rótulos, esqueçam a minha cor, esqueçam o meu tipo físico. Não quero ser julgada por algo que não diz absolutamente nada sobre mim. É querer muito? Me pergunto: é querer muito ser julgada pelo meu caráter? É querer muito que esqueçam as diferenças, aceitem que somos todos iguais, para as pessoas viverem mais felizes?
Não me julgue mesmo por ser feminista. Quer isso seja positivo para você ou não. Eu só preciso saber se eu estou fazendo o bem ao próximo, apenas isso.
Injusto é ser mulher e não poder gostar de sexo. Injusto é ser mulher e inferior, fraca, incapaz. Injusto não ser vista como ser humano. Um passo além do nosso “pode ou não pode” é suicídio, muitas vezes, literalmente. Você é julgada, o que machuca e machuca muito. Porque é mulher, não é coisa que mulher faça. Mas como há uma grande falta de empatia, quem liga para a dor dos outros, principalmente para a das mulheres, as inferiores? “Aquela garota é vadia, se ela apanhou, ela mereceu.” Onde há humanidade nisto?
Ser vadia. Ser vadia é gostar de sexo, é transar com vários homens, não seria isso? Para os homens, é honra, ele é pegador, ele é o macho invejado pelos outros. E as mulheres que ele pega são as vadias que não servem para, absolutamente, nada.
Quando eu percebi isso eu pensei. “Peraí, tem alguma coisa errada!” E começei a questionar (nem conhecia feminismo.) Foi então que fui o estudando e descobri blogs incríveis pela internet que me ajudaram super a entender do assunto.
Não é humano ser vista negativamente por você gostar de transar com vários homens. Não é humano achar que uma mulher merece apanhar porque traiu, porque foi “vadia”. É violência. VIOLÊNCIA. E não é justo com ninguém.
Mas infelizmente há muitos que pensam assim e isso não é novidade para nós. Queremos igualdade. Veja além. Igualdade + paz + liberdade para todos. Não parece algo tão ruim assim, ou parece? Infelizmente tem gente enclausurada em uma mente tão pequena que é impossível de desejar que as coisas mudem para melhor.
Mas lembrem-se. Sempre há esperanças. Há pessoas maravilhosas e conscientes por todo esse mundo também, lembrem-se disso. Como todos vocês, queridxs seguidores. <3
Eu não fiz nada. Foi rápido demais pra eu sair do choque e tomar alguma atitude. O carro saiu correndo e eu não soube o que fazer…
Se adiantasse, eu choraria por ela.
Se eu acreditasse, rezaria por ela.
Se eu pudesse, ligaria pra ela e ofereceria meus abraços e todo meu apoio.
Mas acho que a única coisa que eu posso fazer é continuar lutando. Por ela, por mim e por todxs nós… A. T., no grupo Machismo Chato de Cada Dia
Vendo uma foto da Madonna nos anos 80, lembrei-me de uma coisa que eu pensava quando eu era criança:
Eu jurava que mulheres não tocavam/não eram capazes de tocar violão! A imagem de uma mulher tocando violão para mim era absurdamente revolucionária.
Isso me fez lembrar que sim, a subrepresentatividade das mulheres em certas atividades afetam a maneira como as crianças veem o mundo.
Post de I.F. No grupo Machismo Chato de Cada DiaY.S.:
Tenho 20 anos e moro numa cidade do interior de SP. Por mais que não concordasse com os meus avós (eles que me criaram),nunca os desobedeci e nunca dei nenhum trabalho. Recebo pensão por morte de pai e há 2 anos pago as minhas despesas.
Namoro há 3 anos,ele é da minha cidade mas estuda fora, assim como eu. Essa semana, resolvi ir visitar ele onde está agora, outra cidade daqui do interior. Conversei, coloquei meu ponto de vista, ouvi o deles e fui: pior que poderia ter feito, tenho que ouvir que “mulher não deve ir atrás do homem”, “isso é coisa de moça sem família”,”coisa de gente que quer sacanagem”,”coisa de vagabunda”, comparações com prostitutas e pessoas que envergonharam os pais/deram problemas financeiros a vida toda.
Eles preferem não me ver e não saber de mim do que me ver com ele, livre e feliz. Apenas por ser mulher.
Depois de uns quarenta minutos de um garoto tentando ficar comigo (apesar de eu ter falado que não dentro do primeiro minuto e ele ter ficado insistindo mesmo assim) ele pega e me solta essa pérola:
“Acho que eu vou ter que fazer aquela coisa que as mulheres dizem que não gostam mas na verdade gostam…”
Eu: “Na verdade eu chamo isso de assédio sexual, e não, as mulheres não gostam.”
Ele procedeu a tentar me agarrar à força.
Eu procedi a empurrar ele bem longe.
A revolta do dia
Hoje eu acordei meio cansada de ser mulher. Cansada de ter ovários e de, por causa disso, ter que ouvir julgamentos até não aguentar mais. Julgamentos sobre a minha sexualidade, sobre as minhas roupas, preferências, orientação sexual, altura, peso, aparência, fala, pensamentos e minha vontade de não obedecer a esse padrãozinho chato. Hoje eu acordei impaciente, mas algumas coisas me fizeram realmente irritada. Como esse mundo pode ser tão injusto e moralista para as garotas?
É covardia minha, eu sei, mas às vezes eu gostaria de simplesmente ter nascido homem. Assim talvez me deixassem em paz.